Inspire.

Encher os pulmões de ar é o instituto mais primitivo do ser humano. Imediatamente após o nascimento, o bebê coloca em funcionamento o seu sistema respiratório, e assim, já é capaz de sentir cheiros.

Cada pessoa tem aproximadamente 25 milhões de receptores olfativos. Os impulsivos dos receptores são ondas elétricas percorrem os nervos até o bilbo olfativo, que está abaixo da parte frontal do cérebro. O bulbo mantém uma ligação com o sistema nervoso central: nele se dará a sinapse (conexão cerebral).

Todo este sistema respiratório está pronto para trabalhar assim que se nasce. Enquanto os demais sentidos só vão funcionar perfeitamente depois de algumas horas ou até mesmo dias de vida, isto porque – além da respiração, obviamente – sentir cheiros é fundamental para o ser humano. O olfato, por exemplo, é o principal aliado do paladar, permitindo perceber com clareza as diferenças de sabores. E mais, para a maioria das espécies animais, o olfato é uma questão de sobrevivência desde o nascimento.

E o que isto tem a ver com café?

A complexidade do sistema olfativo é o que nos permite sentir cheiros, os quais nos despertam sentimentos, lembranças, instintos.

Para uma grande parcela da humanidade, o cheiro de café sendo passado é muito marcante no dia a dia, principalmente pela manhã. Começar o dia com um café fresco é fato consumado.

O cheiro de café, diferente da maioria, atingi diversas áreas cerebrais, além do córtex olfativo, estimulando-as. Seu aroma é tão notável que chega a ultrapassar a percepção do cheiro de vinhos ou perfumes. Logo, pode se concluir que o café vai muito além de uma bebida consumida em larga escala.

O ciclo do café, até chegar a xícara, leva meses e depende de muito trabalho. Muito antes de seu aroma marcante, o café é flor. Flor branca como algodão. Depois, o café é fruto, verde como deveria ser. Maduro ele é vermelho – quase sempre – o vermelho é vivo, que se destaca na plantação, anunciando a colheita. É colhido, despolpado e revela sua semente, marrom bem clara. Esta precisa de tempo para secar, de preferência no sol. Só então é torrada e moída, chegando a sua cor e forma mais popular. Agora sim, é possível passar um cafezinho, apreciar seu aroma e degustar seu sabor.

KALLAGIAN, Rosângela Matua. Café: Sabores, segredos e sensações, 1° Edição- São Paulo: RMK Produtora, 2018 84p.

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